26 de janeiro de 2009

Preso na rede

Esta rubrica tem estado ausente por manifesta falta de tempo e não de substância, porque o que mais há por este mundo virtual são sítios que merecem visitas frequentes, se não mesmo diárias..
Pois bem, para variarmos das florestas de enganos em que andamos submersos, nada melhor que embrenharmo-nos numa Floresta das Leituras. Trata-se de um blogue colectivo em que os cinco colaboradores, quase todos ligados ao ensino, escrevem sobre o que lêem, sobre os livros/textos que lhes marcam a vida, sobre eventos ligados ao acto de ler, resumindo: exaltam a leitura.
.

Como tal, esta entrada vai dedicada a todos os leitores, em especial ao professores-leitores que não desistem de crescer.
Para abrir o apetite aqui fica um dos mais recentes testemunhos, que tem tudo a ver com escola.
Boas leituras!
.
Chagrin d'école - Daniel Pennac
"Sempre disse que a escola são os professores. Quem me salvou foram três ou quatro professores" (D. Pennac, 2007, p.57) .
Ainda não está traduzido em português, mas podíamos traduzi-lo por “Insucesso na escola”. Foi uma obra que descobri por acaso, numa citação, e que logo me impeliu para a pesquisa. Como professora, educadora e formadora não o poderia perder. Enfim, depois de muito “bater à porta” de tantas editoras, uma possuía mesmo o original, em língua francesa.
Li, reflecti e fiz a ponte com a nossa realidade. Nada mais parecida. Afinal o que afecta a educação em França é, certamente, o que temos no nosso país. Daniel Pennac dá-nos a verdade nua e crua da realidade escolar e o porquê do insucesso. Ele, o grande pedagogo, pensador, sociólogo e homem de literatura. Com o seu exemplo (ele era um mau aluno, mas daqueles que todos nós conhecemos, um agitador, um desinteressado, um preguiçoso, “un cancre” como se diz em francês, para designar de forma grosseira aquilo que vulgarmente se diz “burro”), qualquer
um que leia o livro chega à conclusão que não há alunos bons nem maus. Há alunos que se encontram perdidos, sem saberem o seu rumo. É necessário que alguém lhes indique o caminho.
Fala-nos dos problemas sociais da actualidade, indicando algumas chaves pedagógicas para pais e professores. Tudo o que ele é o deve a três professores – os seus salvadores. O primeiro de todos, um professor de Língua Materna (para ele o francês), teve a feliz ideia de acabar com as suas desculpas e dissertações para se desculpar da falta de estudo e dos deveres de aluno, pedindo-lhe que escrevesse um romance. Foi este o clic que o chamou à realidade, introduzindo-o no mundo da literatura. Nunca mais deixou o dicionário, os bons escritores e a leitura. É um auto-retrato, cheio de humor e de factos reais, mas saborosos. Fascina-nos com o seu talento e a sua capacidade de contador de histórias.
Só para professores? Não. Essencialmente para pais, tal como ele teve o grande apoio familiar, apesar de todos os insucessos escolares que ia revelando. O suporte familiar nunca falhou. Depois, bastou o feeling de alguns professores para o fazerem despertar. Palmas para Daniel Pennac e para todos os professores que, tal como aqueles que descobriram este prodígio, tanto fazem pelo ensino e pela educação.

Isilda Lourenço Afonso

5 comentários:

Cristina Bernardes disse...

Ficamos muito comovidas com a divulgação do nosso espaço no vosso blogue. Agradecemos profundamente. Apenas queremos contribuir para o enriquecimento e para a partilha no mundo da educação; que para nós, apesar dos tempos conturbados, é uma Paixão.

Cristina Bernardes disse...

Adicionamos tb o vosso link à nossa página da fascínio, de modo a podermos partilhar conhecimentos e projectos.

Cristina Bernardes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
isilda disse...

Fico comovida e grata pelo reconhecimento do nosso blogue.
Espero continuar a partilhar e participar convosco nos próximos dias, pois o saber não ocupa lugar. Além disso, a minha "loucura" é mesmo tudo o que tenha a ver com letras, ensino e literatura.
Vamos, com certeza, dar muito a conhecer e aprender também.

Até breve.

Isilda Lourenço Afonso

EMD disse...

Nós é que agradecemos: primeiro a existência de sítios como os vossos; depois as vossas intervenções prontas; finalmente a divulgação deste humilde jornal_online.
Vamos ficar virtualmente enlaçados.
Um abraço
Elsa Duarte