31 de dezembro de 2007




Receita de Ano Novo

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.
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.



...
...
Que o Ano 2008 tenha muitas Leituras

30 de dezembro de 2007

Nestes tempos... bem temos precisado dela!

...

P a c i ê n c i a

Mafalda Veiga e João Pedro Pais

...

27 de dezembro de 2007

Preso na rede - E que tal um joguito?

Para agilizar reflexos e desenvolver a motricidade fina, mais jogos aqui.



Preso na Rede - No rescaldo do Natal

Deve ter sido dos vídeos mais recebidos/enviados.
Vale a pena ver aqui.

25 de dezembro de 2007

Leituras de Natal IX - O Menino Jesus

Hoje é dia de Natal
Mas o Menino Jesus
Nem sequer tem uma cama,
Dorme na palha onde o pus.


Recebi cinco brinquedos
Mais um casaco comprido.
Pobre Menino Jesus,
Faz anos e está despido.

Comi bacalhau e bolos
Perú, pinhões e pudim.
Só ele não comeu nada
Do que me deram a mim.

Os reis de longe trazem
Tesouros, incenso e mirra.
Se me dessem tais presentes
Eu cá fazia uma birra.

Às escondidas de todos
Vou pegar-lhe pela mão
E sentá-lo no meu colo
Para ver televisão.


Luísa Ducla Soares

24 de dezembro de 2007

Leituras de Natal VIII - O Suave Milagre

[...]



Ora entre Enganin e Cesareia, num casebre desgarrado, sumido na prega de um cerro, vivia a esse tempo uma viúva, mais desgraçada mulher que todas as mulheres de Israel. O seu filhinho único, todo aleijado, passara do magro peito a que ele o criara para os farrapos da enxerga apodrecida, onde jazera, sete anos passados, mirrando e gemendo. Também a ela a doença a engelhara dentro dos trapos nunca mudados, mais escura e torcida que uma cepa arrancada. E, sobre ambos, espessamente a miséria cresceu como bolor sobre cacos perdidos num ermo. Até na lâmpada de barro vermelho secara há muito o azeite. Dentro da arca pintada não restava um grão ou côdea. No Estio, sem pasto, a cabra morrera. Depois, no quinteiro, secara a figueira. Tão longe do povoado, nunca esmola de pão ou mel entrava o portal. E só ervas apanhadas nas fendas das rochas, cozidas sem sal, nutriam aquelas criaturas de Deus na Terra Escolhida, onde até às aves maléficas sobrava o sustento!
Um dia um mendigo entrou no casebre, repartiu do seu farnel com a mãe amargurada, e um momento sentado na pedra da lareira, coçando as feridas das pernas, contou dessa grande esperança dos tristes, esse rabi que aparecera na Galileia, e de um pão no mesmo cesto fazia sete, e amava todas as criancinhas, e enxugava todos os prantos, e prometia aos pobres um grande e luminoso reino, de abundância maior que a corte de Salomão. A mulher escutava, com os olhos famintos. E esse doce rabi, esperança dos tristes, onde se encontrava? O mendigo suspirou. Ah esse doce rabi! quantos o desejavam, que de desesperançavam! A sua fama andava por sobre toda a Judeia, como o sol que até por qualquer velho muro se estende e se goza; mas para enxergar a claridade do seu rosto, só aqueles ditosos que o seu desejo escolhia. Obed, tão rico, mandara os servos por toda a Galileia para que procurassem Jesus, o chamassem com promessas a Enganim; Sétimo, tão soberano, destacara os seus soldados até à costa do mar, para que buscassem Jesus, o conduzissem, por seu mando, a Cesareia. Errando, esmolando por tantas estradas, ele topara os servos de Obed, depois os legionários de Sétimo. E todos voltavam, como derrotados, com as sandálias rotas, sem ter descoberto em que mata ou cidade, em que toca ou palácio, se escondia Jesus.
A tarde caía. O mendigo apanhou o seu bordão, desceu pelo duro trilho, entre a urze e a rocha. A mãe retomou o seu canto, a mãe mais vergada, mais abandonada. E então o filhinho, num murmúrio mais débil que o roçar duma asa, pediu à mãe que lhe trouxesse esse rabi que amava as criancinhas, ainda as mais pobres, sarava os males, ainda os mais antigos. A mãe apertou a cabeça engelhada:

- Oh filho! e como queres que te deixe, e me meta aos caminhos, à procura do rabi da Galileia? Obed é rico e tem servos, e debalde buscaram Jesus, por areais e colinas, desde Chorazim até ao país de Moab. Sétimo é forte e tem soldados, e debalde correram por Jesus, desde Hébron até ao mar! Como queres que te deixe? Jesus anda por muito longe e nossa dor mora connosco, dentro destas paredes e dentro delas nos prende. E mesmo que o encontrasse, como convenceria eu o rabi tão desejado, por quem ricos e fortes suspiram, a que descesse através das cidades até este ermo, para sarar um entrevadinho tão pobre, sobre enxerga tão rota?
A criança, com duas longas lágrimas na face magrinha, murmurou:- Oh mãe! Jesus ama todos os pequeninos. E eu ainda tão pequeno, e com um mal tão pesado, e que tanto queria sarar!E a mãe, em soluços:

- Oh meu filho como te posso deixar! Longas são as estradas da Galileia, e curta a piedade dos homens. Tão rota, tão trôpega, tão triste, até os cães me ladrariam da porta dos casais. Ninguém atenderia o meu recado, e me apontaria a morada do doce rabi. Oh filho! Talvez Jesus morresse... Nem mesmo os ricos e os fortes o encontram. O Céu o trouxe, o Céu o levou. E com ele para sempre morreu a esperança dos tristes.De entre os negros trapos, erguendo as suas pobres mãozinhas que tremiam, a criança murmurou:-

Mãe, eu queria ver Jesus...E logo, abrindo devagar a porta e sorrindo, Jesus disse à criança:
- Aqui estou.


Eça de Queiroz






23 de dezembro de 2007

Prendinha de Natal

...10. 000
.....Em 10 meses!...

Para os leitores do BREVES também deixamos um presentinho:
Vale a pena ver aqui

Leituras VII - Compras de Natal


A cidade deseja ser diferente, escapar às suas fatalidades. Enche-se de brilhos e cores; sinos que não tocam, balões que não sobem, anjos e santos que não se movem, estrelas que jamais estiveram no céu.
As lojas querem ser diferentes, fugir à realidade do ano inteiro: enfeitam-se com fitas e flores, neve de algodão de vidro, fios de ouro e prata, cetins, luzes, todas as coisas que possam representar beleza e excelência.

Tudo isso para celebrar um Meninozinho envolto em pobres panos, deitado numas palhas, há cerca de dois mil anos, num abrigo de animais, em Belém.
Todos vamos comprar presentes para os amigos e parentes, grandes e pequenos, e gastaremos, nessa dedicação sublime, até o último centavo, o que hoje em dia quer dizer a última nota de cem cruzeiros, pois, na loucura do regozijo unânime, nem um prendedor de roupa na corda pode custar menos do que isso.
Grandes e pequenos, parentes e amigos são todos de gosto bizarro e extremamente suscetíveis. Também eles conhecem todas as lojas e seus preços — e, nestes dias, a arte de comprar se reveste de exigências particularmente difíceis. Não poderemos adquirir a primeira coisa que se ofereça à nossa vista: seria uma vulgaridade. Teremos de descobrir o imprevisto, o incognoscível, o transcendente. Não devemos também oferecer nada de essencialmente necessário ou útil, pois a graça destes presentes parece consistir na sua desnecessidade e inutilidade. Ninguém oferecerá, por exemplo, um quilo (ou mesmo um saco) de arroz ou feijão para a insidiosa fome que se alastra por estes nossos campos de batalha; ninguém ousará comprar uma boa caixa de sabonetes desodorantes para o suor da testa com que — especialmente neste verão — teremos de conquistar o pão de cada dia. Não: presente é presente, isto é, um objeto extremamente raro e caro, que não sirva a bem dizer para coisa alguma.
Por isso é que os lojistas, num louvável esforço de imaginação, organizam suas sugestões para os compradores, valendo-se de recursos que são a própria imagem da ilusão. Numa grande caixa de plástico transparente (que não serve para nada), repleta de fitas de papel celofane (que para nada servem), coloca-se um sabonete em forma de flor (que nem se possa guardar como flor nem usar como sabonete), e cobra-se pelo adorável conjunto o preço de uma cesta de rosas. Todos ficamos extremamente felizes!
São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável — apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo.

22 de dezembro de 2007

Leituras de Natal VI - Estrela do Ocidente







Por teus olhos acesos de inocência
Me vou guiando agora, que anoitece.
Rei Mago que procura e desconhece
O caminho,
Sigo aquele que adivinho
Anunciado
Nessa luz só de luz adivinhada,
Infância humana, humana madrugada.

Presépio é qualquer berço
Onde a nudez do mundo tem calor
E o amor
Recomeça.
Leva-me, pois, depressa,
Através do deserto desta vida,
À Belém prometida…
Ou és tu a promessa?


21 de dezembro de 2007

Leituras de Natal V - O Espírito do Natal

Foto daqui


Estava o Senhor Teotónio, que era rico, muito gordo e grande fumador de charutos, a carregar o carro com os presentes que passara a manhã a comprar para os filhos, para os sobrinhos e para as muitas pessoas com quem fazia negócios, quando se aproximou dele um homem pobre, idoso e magro, que prontamente obteve dele esta resposta:
— Comigo não perca tempo porque não tenho dinheiro trocado, nem alimento falsos mendigos.
— Mas eu não lhe pedi nada — respondeu o homem idoso serenamente, com um sorriso que desarmou o Senhor Teotónio e a sua bazófia de novo-rico.
— Então se não me quer pedir nada, por que motivo está tão perto de mim enquanto eu carrego o meu carro? — perguntou o Senhor Teotónio entre duas baforadas de charuto que fizeram o homem idoso e magro tossir convulsivamente.
— Estou aqui, meu caro senhor — respondeu ele, já refeito da tosse — para tentar perceber o que as pessoas dão umas às outras no Natal.
— Com que então — concluiu ironicamente o Senhor Teotónio, grande construtor civil com interesses de norte a sul do País — temos aqui um observador! Deve ser, certamente, de uma dessas organizações internacionais que nós pagamos com o nosso dinheiro e que não sabemos bem para que servem.
— Está muito enganado. Mas já agora responda à minha pergunta: o que é que as pessoas dão umas às outras no Natal? — insistiu o homem pobre, idoso e magro.
— Bem, se quer mesmo saber, eu digo-lhe. Quem tem posses como eu pode comprar uma loja inteira, deixando toda a gente feliz, a começar nos comerciantes e a acabar nas pessoas que vão receber os presentes. Quem é pobre como você fica a assistir. Percebeu a diferença?
O homem magro e idoso reflectiu uns instantes sobre a resposta seca e sarcástica do Senhor Teotónio e depois respondeu-lhe com uma nova pergunta:
— Então e o espírito do Natal?
— O que vem a ser isso do espírito do Natal? — quis saber, cheio de curiosidade, o Senhor Teotónio.
— O espírito do Natal — respondeu o homem idoso e magro — é aquilo que nos vai na alma nesta altura do ano e que está muito para além dos presentes que damos. Para muitas pessoas, o melhor presente pode ser um telefonema, uma carícia ou um telefonema quando se está só.
— Era só o que me faltava agora — desabafou, enfastiado, o Senhor Teotónio, enquanto arrumava os últimos presentes na mala do automóvel — ter agora um filósofo, ainda por cima vagabundo, para aqui a debitar sentenças.
O homem magro e idoso afastou-se do carro, mostrando que não queria esmolas nem qualquer outra coisa que lhe pudesse ser dada pelo Senhor Teotónio, e encaminhou-se para um grupo de crianças que o esperavam.
Quando o Senhor Teotónio passou por eles no carro, ouviu uma voz de criança a dizer:
— Vamos, Espírito do Natal, porque hoje ainda temos muito que fazer.
Dizendo isto, o grupo ergueu-se no ar a esvoaçar com destino incerto, largando um pó luminoso enquanto ganhava altura no céu cinzento de Dezembro.

20 de dezembro de 2007

Leituras de Natal IV - Eu queria ser Pai Natal

Eu queria ser Pai Natal
e ter um carro com renas
para pousar nos telhados
mesmo ao pé das antenas.

Descia com o meu saco
ao longo da chaminé,
carregado de brinquedos
e roupas, pé ante pé.

Em cada casa trocava
um sonho por um presente.
Que profissão mais bonita
fazer a gente contente!

Luísa Ducla Soares

19 de dezembro de 2007

Leituras de Natal III - A Estrela




"Todos os anos, pelo Natal, eu ia a Belém.
A viagem começava em Dezembro, no princípio das férias. Primeiro pela colheita do musgo, nos recantos mais húmidos do jardim. Cortava-se como um bolo, era bom sentir as grandes fatias despegarem-se da areia, dos muros ou dos troncos das árvores velhas, principalmente da ameixieira. Enchia-se a canastra devagar, enquanto a avó ia montando o que se chamaria hoje as estruturas, ou mesmo infraestruturas, junto da parede da sala de jantar que dava para o jardim. Eram caixotes, caixas de chapéus e de sapatos viradas do avesso, tábuas, que pouco a pouco ela ia cobrindo de musgo, ao mesmo tempo que fazia carreiros e caminhos com areia e areão. Mais tarde os rios e os lagos, com bocados de espelhos antigos, de vidros ou mesmo de travessas cheias de água. Até que todos os caixotes, caixas e tábuas desapareciam. Ficavam montanhas, planícies, rios, lagos. Era uma nova criação do mundo. Aqui e ali uma casinha ou um pastor com suas cabras. E todos os caminhos iam para Belém.
Não era como o presépio da Igreja que estava sempre todo pronto, mesmo antes de o Menino nascer. A cabana, a vaca, o burro, os três reis do Oriente. Maria, José, Jesus deitado nas palhinhas. Via-se logo que era a fingir. Não o da avó, que era mais do que um presépio, era uma peregrinação, uma jornada mágica ou, se quiserem, um milagre. Nós estávamos ali e não estávamos ali. De repente era a Judeia, passeávamos nas margens do Tiberíades, andávamos pelo Velho Testamento, João Baptista baptizava nas águas do Jordão e aquele monte, ao longe, podia ser o Sinai ou talvez o último lugar de onde Moisés, sem lá entrar, viu finalmente a terra onde corria o leite e o mel. Mas agora era o Novo Testamento. A avó ia buscar as figuras ao sótão, eram bonecos de barro comprados nas feiras, alguns mais antigos, de porcelana inglesa, como aquele caçador que a avó colocava à frente dizendo: Este é o pai. Seguia-se a mãe, de vestido comprido, dir-se-ia que ia para o baile, mas não, saía de cima de uma mesinha da sala de visitas e agora estava ao lado do pai, olhando levemente para trás onde, entretanto, a avó já tinha colocado figuras mais toscas, eu, a minha irmã, os primos, alguns amigos, todos a caminho de Belém.
- E a avó?, perguntava eu.
- Eu já estou velha para essas andanças.
De dia para dia mudávamos de lugar. E todas as manhãs deparávamos com novas casas, mais rebanhos, pastores, gente que descia das serras, atravessava os rios e os lagos. Os caminhos ficavam cada vez mais cheios. E todos iam para Belém. À noite tremulavam luzes. Acendiam e apagavam. Mas ainda não se via a cabana, nem Maria, nem José. Então uma noite, entre as estrelas do céu, aparecia uma que brilhava mais que todas.
- Esta é a estrela, dizia a avó.
E era uma estrela que nos guiava. Na manhã seguinte lá estavam eles, os três reis do Oriente, Magos, explicava o pai, que também não dizia Pai Natal, dizia S. Nicolau, talvez por influência de uma missa de origem russa que em pequeno lhe falava de renas e trenós e de S. Nicolau atravessando as estepes.
Cheirava a musgo na sala de jantar. Cheirava a musgo e a lenha molhada que secava em frente do fogão. E os Magos lá vinham, a pé, de burro, de camelo. Traziam o oiro, o incenso, a mirra. Às vezes nós, os mais pequenos, juntávamo-nos e cantávamos: “Os três reis do Oriente / Já chegaram a Belém.”
- Não chegaram nada, atalhava a avó, ainda não.
Estávamos cada vez mais perto. E também nervosos. Confesso que às vezes fazia batota. Empurrava-nos um pouco mais para a frente, para mais perto de Belém e do lugar onde eu sabia que mais tarde ou mais cedo a avó ia pôr a cabana. Mas ela descobria.
- Não lucras nada com isso, podes apressar toda a gente, não podes apressar o tempo.
Cada vez havia mais luzes na Judeia. Por vezes surgiam novos lagos, eram mistérios da minha avó. E a estrela lá estava, a grande estrela de prata que brilhava mais do que todas as outras, às vezes eu ia à janela e via a projecção daquela estrela, ficava confuso, já não sabia se era a estrela da sala ou uma estrela do céu, era uma estrela nova, uma estrela de prata, era uma estrela que nos guiava. No céu, na sala, na Judeia, talvez dentro de nós.
Até que chegava o primeiro dos grandes momentos solenes. A avó chamava-nos ao sótão ( nós dizíamos forro ), abria uma velha arca e desempacotava a cabana. Depois, muito comovida, quase sempre com lágrimas nos olhos, as figuras de Maria e José.
- Não há nada tão antigo nesta casa, já eram dos avós dos meus avós.
Impressionava-me sobretudo o manto muito azul de Maria e o rosto magro, quase assustado, de José. A avó limpava-os com muito cuidado e mandava-nos sair. Nunca nos deixou ver o resto.
À noite, quando regressávamos da missa do galo, a que a avó não ia, chegávamos a casa e finalmente estávamos em Belém. A estrela brilhava intensamente sobre a cabana, Maria e José debruçavam-se sobre o berço, onde Jesus, todo rosado, deitado nas palhinhas, agitava os braços e as pernas, envolvido pelo bafo quente dos animais, enquanto os três reis do Oriente, agora sim, chegavam a Belém para depositar aos pés do Menino o oiro, o incenso, a mirra. E vinham os pastores, e vinha o pai, de caçador, a mãe, de vestido de baile, e vínhamos nós, eu, a minha irmã, os primos, não éramos de porcelana nem de barro, estávamos ali em carne e osso, era noite de Natal, uma estrela nos guiava, brilhava sobre a Judeia e sobre o presépio, brilhava cá fora entre as estrelas, brilhava dentro de nós. Naquela noite, naquele momento, nós não estávamos na sala de jantar em frente do presépio, tínhamos chegado finalmente a Belém para adorar o Menino ao lado de Maria e José e dos três reis do Oriente, Magos, não conseguia deixar de corrigir o meu pai.
Mas mágica, verdadeiramente mágica era a avó. Era ela que fazia o milagre da transfiguração, trazia o Natal para dentro de casa e levava-nos a todos até Belém. O cheiro a musgo e a lenha. Os montes, os vales, os rios, os lagos. Caminhos e caminhos que iam para Belém. E a estrela de prata, a estrela que nos guiava. Era uma estrela no céu, dentro de casa, dentro de nós. Pela mão da avó ela brilhava. Pela sua magia Belém estava dentro de casa. E a casa também ia até Belém.
Mais tarde, muito mais tarde, eu estava no exílio. Na noite de Natal os revolucionários ficavam tristes e nostálgicos. Talvez recordassem outras avós, outros presépios, outros lugares. Reuniam-se em casa deste ou daquele, improvisava-se uma árvore de Natal, trocavam-se presentes. Mas ninguém, nem mesmo os mais duros, os que faziam gala em dizer que o Natal para eles não significava nada, nem mesmo esses conseguiam disfarçar uma sombra no olhar. Saudade, dir-se-á. Mas talvez fosse mais do que saudade e solidão e o pior de todos os exílios que é o de se sentir estrangeiro no mundo. Talvez fosse a consciência de que, para lá de todas as crenças ou não crenças, havia um irremediável sentimento de perda. Muitas vezes me perguntei o que seria. Mas não conseguia responder. Sentia o mesmo aperto, o mesmo buraco por dentro, o mesmo sentimento de algo para sempre perdido.
Uma noite de Natal, em Paris, eu estava sozinho. Comprei uma garrafa de vinho do Porto, mas não fui capaz de bebê-la assim, completamente só, num quarto de criada de um sexto andar numa velha rua do Quartier Latin. Peguei na garrafa e fui até aos Halles. Procurei o bistrot onde costumava comer uma omelete de fiambre. Felizmente estava aberto. Pedi a omelete e abri a garrafa. Havia mais três solitários no bistrot, um velho de grandes barbas, um tipo com cara de eslavo, um africano. Convidei-os para partilharem comigo a garrafa de Porto, que não resistiu muito tempo. Encomendámos outras bebidas.
- Conta uma história de Natal do teu país, pediu o velho.
- Só se for a do presépio da minha avó.
- Então conta.
Eu contei. Era já muito tarde e o patrão disse-nos que queria fechar. Chegados à rua o africano apontou o céu e disse-me:
-Olha.
E eu vi. Uma estrela que brilhava mais que as outras estrelas. Era uma estrela de prata. A estrela da avó. Brilhava no céu, brilhava outra vez dentro de mim, quase posso jurar que brilhava dentro dos outros três.
Então eu perguntei ao africano como se chamava. E ele respondeu:
- Baltazar.
Perguntei ao velho e ele disse:
- Melchior.
E sem que sequer eu lhe perguntasse o eslavo disse:
- O meu nome é Gaspar.
Era noite de Natal e talvez ainda por magia da avó eu estava na rua, em Les Halles, com os três reis do Oriente, Magos, diria o meu pai.
- E agora? perguntei a Baltazar.
- Agora, respondeu o africano apontando a estrela, agora vamos para Belém."

18 de dezembro de 2007

Sondagem de Opinião

Qual o aspecto a melhorar na nossa escola?
É esta a pergunta da próxima sondagem de opinião dos visitantes do blogue escolar.
Relembra-se que no primeiro inquérito pretendeu-se apurar qual o aspecto mais positivo na escola.
Os resultados desta e da anterior sondagem de opinião serão divulgados no próximo número do Jornal Fio Condutor de 2008.

17 de dezembro de 2007

Leituras de Natal II - Natal?

Enquanto a chuva
Escorrer da minha vidraça
E furar o telhado
Daquele farrapo de homem que além passa
Enquanto o pão
Não entrar com a Justiça
Lado a lado
Mão a mão
Nem Jesus vem
Andar pelos caminhos onde os outros vão
Um dia
Quando for Natal
(E já não for Dezembro)
E o mundo for o espaço
Onde cabe
Um só
abraço
Então
Jesus virá
E será
À flor de tudo
O RedentorUniversal
(Quando o Homem quiser
Será Natal)

15 de dezembro de 2007

Leituras de Natal I - A Vendedeira de Fósforos

Fazia um frio terrível. Nevava, e a noite aproximava-se rapidamente. Era o último dia de Dezembro, véspera de Ano Novo.
Apesar do frio intenso e da escuridão, andava pelas ruas uma menina descalça e com a cabeça descoberta.
Ao sair de casa ainda trazia umas chinelas, mas que não lhe serviram de muito. Eram enormes, tão grandes que decerto pertenciam à mãe e a pobre menina tinha-as perdido ao atravessar a rua correndo, para fugir de duas carruagens que rolavam velozmente. Estava agora descalça e tinha os pés roxos de frio. Dentro de um velho avental tinha muitos fósforos e segurava um punhado deles.
Ninguém lhe comprara fósforos durante o dia e nem sequer lhe tinham dado uma esmola. Morta de frio e de fome, arrastava-se pelas ruas. A pobre criança era a imagem da miséria. Caíam-lhe flocos de neve sobre os cabelos louros muito compridos.
As janelas das casas estavam todas iluminadas. Pelas ruas, espalhava-se o cheiro reconfortante de gansos assados, pois era véspera de Ano Novo.
A menina acocorou-se no ângulo formado pelos muros de duas casas. Encolhera as pernas e sentara-se em cima delas, mas continuava a ter frio. Não ousava voltar para casa porque não vendera nem um fósforo e não tinha sequer uma moeda para entregar ao pai. Temia que este lhe desse uma sova. Além disso, em casa fazia quase tanto frio como na rua, porque tinham apenas o telhado para os cobrir. Apesar de terem tapado com palha e trapos todas as frestas, o vento gelado penetrava incessantemente.
Tinha as mãos quase geladas pelo frio. Ah! Talvez a chama de um fósforo a pudesse aquecer um pouco. Oh! Um fósforo, apenas um! Esfregou o fósforo na parede e protegeu com uma das mãos a chamazinha viva. Que brilho magnífico! Pareceu-lhe que a chama era uma braseira de cobre acesa, irradiando um calor reconfortante. A rapariguinha estendeu os pés para os aquecer mas, subitamente, o fósforo apagou-se, a maravilhosa braseira desapareceu e a criança ficou apenas com um fósforo meio consumido entre os dedos.
Pegou noutro e acendeu-o. O brilho era tal que tornava o muro de um dos prédios tão transparente como vidro. A criança viu então uma sumptuosa sala de jantar, no centro da qual estava posta uma mesa coberta com uma toalha tão branca como a neve. Sobre ela havia copos de cristal, pratas e finíssimas porcelanas, reflectindo milhares de luzes. Numa travessa estava um ganso recheado com ameixas secas e maçãs fumegantes. Um cheiro delicioso espalhava-se pelo ar. De súbito, o ganso, apesar do garfo e da faca que tinha espetados no dorso, saltou do prato e dirigiu-se, bamboleando-se, para junto dela.
De repente, o fósforo apagou-se e a menina via, agora, o espesso muro do prédio. A menina estendeu os braços para tanta maravilha, mas o fósforo apagou-se e todas as velas da árvore subiram para o céu, transformando-se em estrelas.
Uma delas caiu, deixando um longo rasto luminoso. «Morreu alguém», pensou a criança.
A avó, a única pessoa que lhe dera afecto e que já tinha morrido, dissera-lhe um dia:
- Sempre que cai uma estrela, uma alma entra no Paraíso.
A menina riscou outro fósforo na parede. Viu, então, à luz da chama, o rosto meigo da avozinha.
- Avó, leva-me contigo. Sei que vais desaparecer, quando se extinguir o fósforo. Desaparecerás como a braseira, o ganso recheado e a grande árvore de Natal - disse a criança. Pôs-se a acender todos os fósforos que restavam na caixa, para conservar junto de si a imagem da avozinha. Os fósforos davam uma chama tão clara que parecia dia. Nunca a avó fora tão bela e tão grande como naquela noite.
A bondosa senhora pegou na criança entre os braços e ambas se elevaram no espaço, envolvidas por uma luz extraordinária. Subiram alto, muito alto, até onde deixa de existir o frio, a fome e o medo.
E, quando chegou a madrugada, encontraram a criança estendida no chão, com as faces rosadas e um sorriso nos lábios. Estava morta. Tinha morrido de frio, na última noite daquele ano.
O Sol do dia do Ano Novo ergueu-se sobre o corpo frágil e abandonado na neve. O avental da criança continha ainda alguns fósforos, mas perto do corpo encontrava-se um pacote de caixas vazias. No entanto, ninguém podia supor as esplêndidas coisas que a menina tinha visto, nem sequer a emoção que sentira ao ser levada pela bondosa avozinha, no dia em que o novo ano principiava.





Para ler outras histórias do mesmo autor entre também em http://purl.pt/768/1/

Preso na Rede - Leituras de Natal

Faltam 10 dias para o Natal!

Ai como apetece, nestes serões tão frios, ficar no aconchego do lar saboreando a magia da quadra e de um bom livro.

Já no ano passado o BREVES lançou, por esta época, o primeiro desafio de leitura.Ora, como as boas ideias são para repetir e como há tantos sítios de leitura na Net, aqui ficam algum lugares para visitar, outras tantas histórias para ler.
...

Bom Natal, Boas Leituras!

Visita à Biblioteca Municipal

Nos dois últimos dias de aulas, as turmas do 7º ano fizeram uma visita de estudo à Biblioteca Municipal da Covilhã.

Depois da recepção no auditório, os alunos foram guiados pelas diversas áreas da bibloteca, onde receberam informações sobre os fundos documentais e sobre os processos de registo, catalogação, arrumação, pesquisa e requisição do livro. Apreciaram a exposição bibliográfica comemorativa do 100º aniversário do nascimento de Miguel Torga. Na sala de audiovisuais tomaram contacto com o respectivo acervo. Finalmente, na sala do conto, assistiram à dramatização da história Os Gnomos de Gnu, Uma Aventura Ecológica, de Humberto Eco .

Esta visita, que parecia ser "uma seca", foi afinal muito instrutiva, participada e divertida.

Pessoa e Machado de manhã, Rita T. Duarte à tarde

Na passada quarta-feira, 12 de Dezembro, o auditório da ESCM encheu-se de obras, autores, professores, lições, alunos e perguntas.

Dinamizada pelo Núcleo de Estágio de Português/Espanhol, realizou-se de manhã a palestra O FENÓMENO DA ALTERIDADE EM FERNANDO PESSOA E ANTÓNIO MACHADO.
Foi sem dúvida enriquecedor, para os alunos do 12.º ano e professores presentes, ouvir o professor Jorge Garcia, a propósito daqueles dois poetas e do fenómeno da alteridade, convocar Plauto, D. Dinis, Bernardim Ribeiro, Mário de Sá-Carneiro, Valle-Inclán, Nietzsche e tantas outras personalidades relevantes.




Já à tarde, por iniciativa do Núcleo de Estágio de Português/Inglês, teve lugar um colóquio com Rita Taborda Duarte.
Neste À CONVERSA COM... a escritora apresentou-se a si e à sua obra, respondendo às múltiplas questões que uma plateia de alunos de de 7º e 8º anos lhe colocou.
No final houve uma sessão de autógrafos.



Parabéns a todos os intervenientes.

13 de dezembro de 2007

1º Prémio do Ensino Secundário no "Carpe Mat"


O João Carlos Neves, aluno da turma 12º B
obteve o 1º lugar ao responder
ao 3º desafio
da iniciativa "Carpe Mat" (desfruta a Matemática)

organizado pela UBI.
Parabéns.

"UM MILAGRE DE NATAL"

O Clube de Cinema em colaboração com o Núcleo de Estágio de Português/Inglês, está a preparar a 4ª sessão de cinema para amanhã sexta-feira 14 de Dezembro pelas 15:15h no Auditório.

UM MILAGRE DE NATAL
Noel (2004)

Sinopse:
Apesar de bem sucedida profissionalmente, Rose é uma mulher divorciada e só, à espera de um milagre que melhore a condição de sua mãe, internada num hospital com Alzheimer. Mike é um jovem polícia que vê a relação com a noiva ser destruída pelo ciúme. Jules é um rapaz de rua, sem amigos e afastado da família. Sonha com o seu melhor Natal desde sempre: o Natal dos seus 12 anos. Numa cidade tão grande como Nova Iorque, conseguirão estes estranhos ser tocados por um milagre?

12 de dezembro de 2007

Mensagem de Natal Ecológica

Os alunos do curso CEF de Gestão Ambiental apostam numa maneira diferente de passar algumas mensagens ecológicas. A exposição instalada no átrio principal da escola retrata alguns aspectos que devem fazer parte do dia-a-dia de cada um de nós, inclusívé na época de Natal, como a reciclagem - de papel, plástico e metal e a colocação das pilhas nos recipientes apropriados. Numa altura de grande consumismo é possível ser ecológico através da redução do consumo de substâncias supérfulas e da reutilização.
Os alunos do 92ºH e 10ºH juntamente com o Clube das Artes, coordenado pela professora Anabela Ramalhete procederam à construção de uma árvore de Natal, com materiais perecíveis provenientes da floresta.

11 de dezembro de 2007

Grupo Folclórico Campos Melo

Próximo Sábado,
Dia 15-12-2007 pelas 18h.

Urbanização Belo Zêzere.
Fica o "aperitivo"...

À Conversa com… Rita Taborda Duarte

Amanhã, 12 de Dezembro, receberemos na nossa Escola a escritora Rita Taborda Duarte. Através da iniciativa "À Conversa com… uma escritora apresenta-se", que decorrerá no auditório, pelas 15 horas, ficaremos a saber alguns aspectos da sua experiência pessoal enquanto escritora de literatura infanto-juvenil.
Rita Taborda Duarte fará também uma breve apresentacão da sua obra "A Verdadeira História da Alice", que consta do conjunto de obras seleccionadas para a fase de selecção do Concurso Nacional de Leitura a nível de escola.
Não percas a oportunidade de vir conhecer pessoalmente esta escritora!

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A Verdadeira História da Alice


A Família dos Macacos




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Os Piolhos do Miúdo e os Miúdos do Piolho
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Núcleo de Estágio de Português e Inglês
Pedro Nave e Tatiana da Fonseca

10 de dezembro de 2007

Campanha de Recolha de Alimentos para Animais


Entre 10 e 14 de Dezembro.

"ABANDONADO" => CANIL

1 Latinha
1 Saco de Granulado
1 Brinquedo

Iniciativa coordenada
pelo Clube Agenda 21.

Campos Melo na ArteCovilhã II


A escola esteve presente na segunda edição da feira "ArteCovilhã", que decorreu no pavilhão multiusos ANIL de 7 a 9 de Dezembro. Poderíamos encontrar na feira obras dos alunos do 12º F realizadas para as disciplinas de Oficina de Artes e Desenho A. Apesar de não estarem para venda, foram muitos os requisitos.

«O fenómeno da alteridade em Fernando Pessoa e António Machado»




No próximo dia 12 de Dezembro, pelas 10:10h, o Núcleo de Estágio de Português e Espanhol dinamizará a palestra intitulada «O fenómeno da alteridade em Fernando Pessoa e António Machado», dirigida a alunos do 12.º ano. Esta actividade pretende reflectir sobre algumas afinidades literárias entre Pessoa e o poeta espanhol António Machado, reconhecendo a validade de um pensamento expresso por Miguel de Unamuno, numa das suas cartas a Teixeira de Pascoaes: «Es una obra de amor y de cultura hacer que Portugal y España se conozcan mutuamente. Porque el conocerse es amarse. El conocimiento engendra amor y el amor conocimiento.»

9 de dezembro de 2007

A ética de ser vegetariano


Hugo Evangelista, biólogo e representante da “Acção Animal” foi o orador convidado para uma palestra subordinada ao tema “Ética e Vegetarianismo”. A iniciativa decorreu no passado dia 6 de Dezembro, no Café Bar Covilhã Jardim, e contou com a organização do Clube Agenda 21 Escolar, da Escola Secundária Campos Melo.
A abordagem ética do vegetarianismo foi uma tónica constante na intervenção de Hugo Evangelista, que confessou ser vegetariano há sete anos. Será que os animais têm direitos? O que se entende por direito? Estas foram algumas das questões levantadas pelo representante da “Acção Animal” desafiando desde logo a participação da audiência. Para Hugo Evangelista, os animais têm desde logo direitos como “não sofrer, não ser explorado e poder viver”.
O respeito pelos animais, a preservação do ambiente e o cuidado com a saúde foram factores apontados pelo orador para justificar o vegetarianismo. Apesar de reconhecer a existência de uma tendência na maioria das pessoas para para comer carne, Hugo Evangelista sublinha que “é fácil manter um estilo de vida saudável e isento de crueldade recorrendo ao vegetarianismo”. O biólogo explica que os produtos de origem animal são ricos em proteínas porque têm todos os aminoácidos concentrados, mas se combinarmos vários tipos de alimentos de índole vegetal (cereais, vegetais, leguminosas..) conseguimos obtê-los de igual modo.
A iniciativa que decorreu em jeito de tertúlia contou com a participação activa do público que teve assim oportunidade para esclarecer dúvidas sobre as questões abordadas. No dia seguinte, Evangelista deu palestras sobre o tema aos alunos de 8º e 10º anos.
No site da “Acção Animal” é possível encontrar um vasto conjunto de informações sobre esta temática, como a legislação em vigor, aspectos relacionados com a indústria alimentar e até algumas receitas vegetarianas. Na página oficial da associação é explicado que a “Acção Animal nasceu de uma decisão ponderada e plena de determinação de um grupo independente de cidadãos com uma causa comum: a abolição das relações de aproveitamento e exploração dos animais, por parte dos humanos, e a criação duma consciência de que ambas as espécies possuem os mesmos direitos, podendo coexistir estabelecendo relações harmoniosas, fundadas no mutualismo”.