Aí está ele!Nos locais do costume e também no sarau.
Ligámos a rádio e ouvimos uma música tipo marcha militar. Na TV - a preto e branco e sem comando, apenas ainda com dois programas e a emitir a partir da tarde, nem sombra da Mira técnica. Só uma multidão de moscas freneticamente piscando num fundo esbranquiçado.
Poucos minutos depois estava na rua. O ambiente era o mesmo de sempre: tranquilo e pacato, típico de uma vila da província.
Ao cimo da rua, o posto da PSP também não aparentava quebra da normalidade.
Na avenida Salazar, o movimento era intenso por ser dia da Feira anual. Mas, junto ao Colégio de Santo António, um monte de gente concentrava-se perto da entrada. As portas estavam fechadas enquanto um contínuo, o Sr António, empoleirado numa escada, pintava de branco uns dizeres escritos a tinta vermelha, algo familiares, obra nocturna do activo núcleo do MRPP local: ABAIXO A GUERRA COLONIAL!... e quejandos.
Eu andava no último ano do curso complementar do liceu, antigo 7º ano, e tinha 17 anos.
Mas no Fundão, aos 17 anos, quase todos entrevíamos o que era a resistência ao regime.
Basta mencionar o nome dos irmãos Paulouro, Armando e António, e o do Jornal do Fundão, sob a batuta deste último. Basta lembrar o sussurrar da frase "está cá a PIDE!", por entre o caloroso e comovido aplauso às intervenções da intelectualidade portuguesa, e até internacional, no Encontro Nacional de Teatro realizado um par de anos antes.
Desde pequena que via as ramonas da polícia de choque estacionadas à minha porta sempre na noite de 1 de Dezembro quando, a coberto da Restauração, o povo saía à rua e, já que mais não fosse, afrontava a proibição de ajuntamentos e manifestações.
Houve também uma extraordinária professora de inglês no 5º ano, com quem falávamos dos livros, da música, da vida, da liberdade. Com ela fazíamos sessões de leitura e debate da poesia proibida, copiada à mão em folhas de papel Bíblia, e ouvíamos as músicas do Zeca, do Adriano, do Cília, do Zé Mário Branco, recopiadas em cassetes, roufenhas de tanto ouvidas.
E no ano anterior, durante a preparação da nossa récita de pré-finalistas, tinha havido um lápis azul esquartejando poemas como o "Cântico Negro" e o "Tu Piedade", mais aquele murro no estômago quando, ao telefonar para casa do Zeca – Oh, santa ingenuidade adolescente! queríamos convidá-lo para cantar – me respondeu a mulher, com a voz mais natural deste mundo: "O Zeca está preso. É todos os anos assim por alturas do 1º de Maio...".
A manhã do 25 de Abril de 74 foi mesmo, para muitos de nós então, a luz ansiada, a aurora tão apetecida.
Estamos a precisar de outra.
Então e hoje
Elsa Duarte
Imagens da Net
No dia 25 de Abril de 1974,Para quem tem muita curiosidade, um vídeo mais completo:
Recorda-o não só nos dias de festa from Videoteca Municipal de Lisboa on Vimeo.
A declamação de poemas alusivos aos livros e ao prazer de ler, feita por antigos e actuais professores e alunas, constituiu o ponto alto de uma tarde de celebração.




Houve entrega de diplomas e pequenas lembranças a todos os participantes.
E, no final, actuaram o Professor Pedro Ospina e o pequeno e simpático João do Conservatório Regional de Música.


CONCURSO NACIONAL
DE JORNAIS ESCOLARES
2009/10
PROJECTO PÚBLICO NA ESCOLA
CONCURSO NACIONAL DE JORNAIS ESCOLARES
O Concurso Nacional de Jornais Escolares, que se realiza anualmente, pretende estimular o aparecimento das publicações escolares e o aperfeiçoamento das existentes, cumprindo assim um dos primordiais objectivos do PÚBLICO na Escola.
Durante mais de uma dezena de anos, o Projecto PÚBLICO na Escola apreciou publicações em papel e jornais electrónicos — além de outros trabalhos na área da comunicação — realizadas por muitos milhares de alunos e muitas centenas de professores de estabelecimentos de ensino de todos os graus de ensino básico e secundário de todo o país, que constituíram inestimáveis contributos para a melhoria da vida escolar.
Este ano
O que é uma República?
As respostas vão, agora, ser dadas pelos jornais escolares.
O nosso jornal escolar já é candidato, por isso fica aqui o desafio: Vamos escrever artigos sobre o tema em questão - A REPÚBLICA - e vamos "correr o risco" de...ganhar!
Mais informações em: http://static.publico.clix.pt/pubnaesc/pdf/publiconescoqueeumarepublica.pdf
El día 26 de febrero, los grupos de 7.º, 8.º y 9.º cursos de la escuela Campos Melo han ido en viaje de estudio a Mérida, España.