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12 de dezembro de 2009

Leituras de Natal II - Série III

A Batalha de Natal


— Só mais seis dias — disse Neli.
Enquanto a filha tentava assobiar Noite Feliz, a mãe repetiu, pensativa, numa voz que não soava alegre:
— Ainda seis dias.
Após uma curta pausa, prosseguiu, suspirando:
— Se tudo já tivesse passado!
Com o assobio suspenso no ar, Neli olhou para a mãe com ar estupefacto:
— Não estás contente?
— Claro que sim, mas já estou pelos cabelos com esta agitação toda!
Como Neli não tinha aulas à tarde, foi patinar com uma amiga. Ao cair da noite, dirigiu-se ao supermercado onde a mãe trabalhava. Havia tanto movimento que o lugar mais parecia uma colmeia. A mãe estava sentada numa cadeira giratória, diante de uma das seis caixas registadoras. Os produtos chegavam-lhe num tapete rolante. Enquanto a mão direita marcava os números no teclado, a mão esquerda rodava as embalagens para que a máquina pudesse ler os códigos. Finda a operação, os produtos eram colocados, um a um, no carrinho de compras. Quando acabava de marcar tudo, a mão direita carregava na tecla do total e rasgava o talão, enquanto a esquerda afastava o carro cheio e puxava o próximo, vazio, para junto dela.
— Que bem fazes isso — dissera-lhe Neli uma vez. — Eu faria tudo devagar e, ainda por cima, metade saía mal.— Ora — dissera a mãe a rir. — É uma questão de treino. Quando comecei, também não era assim tão despachada. Não encontrava a etiqueta com o preço e, muitas vezes, carregava nas teclas erradas. Como tinham de esperar, as pessoas resmungavam. Agora já quase consigo fazer isto automaticamente.
— Como um robô! — Neli riu-se.
E se tivesse um robô como mãe? Nunca teria dores de cabeça, nem à noite estaria tão cansada. Mas um robô não tem coração e, por isso, Neli preferia a mãe tal como era, mesmo quando, em certas noites, quase nem conseguia falar de tão cansada!
Só mais quatro dias.
Só mais três.
As filas nas caixas eram cada vez mais longas. As pessoas abasteciam-se de comida como se o Natal durasse meio ano. Com um ruído sibilante, as portas automáticas abriam e fechavam, abriam e fechavam. A mãe sentia nas costas a corrente de ar e os cartões pendurados no tecto balançavam de um lado para o outro.Um sino de Natal, por cima da cabeça da mãe, tinha escrito a vermelho: PROMOÇÃO: Bombons, 250 gr, a preço especial.Perto dele balançava um anjo de papel com uma faixa nas mãos, como nas igrejas, mas onde não estava escrito Paz na terra aos homens de boa vontade, mas sim Fiambre para o Natal a 15,80€/kg.
Os altifalantes debitavam música de Natal:
Noite feliz…
Cabeça de anho
Noite feliz…
DescafeinadoPapel higiénico de três folhas
O Senhor…
Lenços com monograma
Mostarda
Nasceu em Belém…
A mãe suspirava e, com um movimento rápido, limpava o suor do lábio com as costas da mão. Os clientes, impacientes, esperavam, apoiando-se ora numa, ora na outra perna. De olhar ausente, nem olhavam para a senhora da caixa, pensando apenas no regresso a casa com os sacos pesados e o eléctrico cheio.
Ufa!
Só mais três dias, e acabaria tudo.
— Vou fazer um jantar como o do ano passado — disse a mãe, à noite, virando-se para Neli. — Patê em folhas de alface, porco assado, batatas fritas, feijão e, para sobremesa, creme de chocolate de lata com peras.
No dia 24 de Dezembro, a loja só estava aberta até às quatro horas da tarde. Em seguida, os empregados podiam comprar, com um desconto de 15%, os produtos que tinham sobrado. A mãe de Neli achava que valia a pena e, por isso, tinha guardado as compras maiores para essa altura: uma pasta escolar para Neli, uma boneca, lápis de cor, um anoraque para o pai, e a comida para a ceia de Natal.
Na sala do pessoal, houve um lanche para todos os empregados.
— A batalha de Natal foi mais uma vez vencida — alegrou-se o chefe do pessoal, que proferiu mais umas palavras elogiosas.
Depois foram servidos pãezinhos com fiambre e um copo de vinho a cada um.
Após o lanche, a mãe de Neli deixou ficar os gordos sacos de compras esquecidos na sala do pessoal. Só reparou quando já estava na paragem do autocarro. “As minhas prendas! Todas aquelas coisas boas para a ceia!”, pensou assustada.
Mas a loja já estava fechada e, antes do dia 27, não voltava a abrir. Chegou a casa de mãos vazias.
Nessa noite, apesar de tudo, festejaram o Natal. O pai acendeu as velas da árvore de Natal e Neli recitou um poema. Só se lembrou das duas primeiras estrofes e depois encravou, mas a mãe achou-o muito bonito e o pai nem reparou que ainda continuava. O jantar foi mais curto do que o planeado. Por sorte, a mãe já tinha comprado o assado e havia batatas em casa, mas não houve entrada nem sobremesa. Trincaram nozes e comeram maçãs.
— Assim, não fico com o estômago tão pesado como no ano passado — disse o pai. — Comidas pesadas não me caem bem.
Também não havia muito que desembrulhar.

Por isso, sobrou tempo. Muito tempo.
Neli foi buscar o jogo “Memory” que recebera no Natal anterior. Durante o ano inteiro, esperara, em vão, todos os domingos, que alguém tivesse tempo para jogar com ela.Agora, os pais tinham tempo.
O pai nunca tinha jogado “Memory”. Ao fim de algum tempo, Neli já tinha encontrado sete pares de cartas, a mãe três, e o pai, que geralmente queria ganhar sempre, procurava constantemente no sítio errado.Tentava alguns truques, pondo, sem ninguém dar conta, migalhinhas de pão em cima das cartas que tinha decorado, ou pousava as mãos na mesa, de forma a que o polegar indicasse a direcção em que estava uma determinada carta. Mas Neli descobriu-lhe a jogada. Jogaram mais duas ou três vezes e o pai não se zangou por perder sempre. Depois, ainda jogaram o jogo do assalto.
À meia-noite, o pai apagou a luz e ficaram a olhar pela janela. A neve reflectia uma luz clara e ouviam-se os sinos a tocar.
— A esta hora, há quase dois mil anos, nasceu Jesus — disse a mãe, e Neli reparou que, afinal, a mãe estava contente por ser Natal.
Ao ir para a cama, Neli disse:
— Este foi um Natal muito bonito.
— A sério? — perguntou a mãe, admirada. — Mas não houve ceia nem prendas quase nenhumas.
— Mas houve muito tempo — respondeu Neli.



Jutta Modler (org.)
Brücken Bauen

Wien, Herder, 1987
(Tradução e adaptação)


via O clube de Contadores de Histórias

10 de dezembro de 2009

Direitos Humanos

Celebra-se hoje, dia 10 de Dezembro, a doção em 1948, pela Organização das Nações Unidas (ONU), da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
A Declaração nasceu em resposta à barbárie praticada pelo nazismo contra judeus, comunistas, ciganos e homossexuais e também às bombas atómicas lançadas pelos Estados Unidos sobre Hiroshima e Nagazaki, que mataram milhares de inocentes.

Human rights declaration from france multiculturelle on Vimeo.



Obrigado pela dica ao José Pereira.

6 de dezembro de 2009

O PES da ESCM na TV

Passou hoje no "Primeiro Jornal" da SIC a reportagem efectuada pela jornalista Patrícia Figueiredo, gravada na passada quinta-feira.
A sessão do Projecto de Educação para a Saúde (PES) era sobre o tema da violência no namoro e decorreu no Gabinete do Aluno. Os protagonistas são a professora Regina Conceição e o 9º B .
Grande lição, pessoal!

8 de novembro de 2009

Banco Alimentar

O professor Steven Casteleiro, membro fundador deste Jornal-Blogue, acaba de nos deixar um comentário no poste Os números astronómicos da Fome, cujo conteúdo está mesmo a dizer «Divulguem!».
Eis a mensagem:


A próxima campanha de recolha do BA decorre dias 28 e 29 de Novembro.
Quem quiser participar nas actividades de recolha / armazenamento dos produtos é só contactar-me.
smbc

21 de setembro de 2009

Aos alunos da Campos Melo

Que esta atitude de empenho, determinação e auto-confiança acompanhe sempre os nossos alunos e lhes abra caminho para um ano escolar com muito sucesso.


Filosofia do Projecto Escola de Inteligência

Que você seja um grande empreendedor.
Quando empreender, não tenha medo de falhar.
Quando falhar, não tenha receio de chorar.
Quando chorar, repense a sua vida, mas não recue.
Dê sempre uma nova chance para si mesmo.
Encontre um oásis em seu deserto.
Os perdedores vêem os raios.
Os vencedores vêem a chuva e com ela oportunidade de cultivar.
Os perdedores paralisam-se diante das perdas e frustrações.
Os vencedores vêem uma oportunidade para começar tudo de novo.
Saiba que o maior carrasco do homem é ele mesmo.
Não seja escravo dos seus pensamentos negativos.
Liberte-se da pior prisão do mundo: o cárcere da emoção
O destino não é inevitável, mas uma questão de escolha.
Você é um ser humano consciente, inteligente e livre.
Sua vida é mais importante do que todo o ouro do mundo.
Mais bela do que o brilho das estrelas: obra-prima do Autor da vida.
Ainda que tenha defeitos, você não é mais um número na multidão.
Não há duas pessoas iguais a você no palco da vida.
Você é um ser humano insubstituível.
Por isso eu declaro:Jamais desistirei das pessoas que amo.
Jamais desistirei da minha própria vida.
Lutarei sempre pelos seus sonhos.
Serei profundamente apaixonado pela vida.
Pois a vida é um espetáculo imperdível.

Augusto Cury*

* médico, psiquiatra, psicoterapeuta e escritor brasileiro. Desenvolveu a teoria da inteligência multifocal, sobre o funcionamento da mente e o processo de construção do pensamento.

21 de junho de 2009

Mimos de Final de Ano-III

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Curso Técnico de Apoio Psicossocial - 1oº G

Decorriam no Auditório as apresentações dos trabalhos do 10º G, relativamente à disciplina de Animação Sociocultural, diga-se, em abono da verdade, bons trabalhos e apresentações muito criativas.
O Sr. José Nuno estava por perto com a máquina fotográfica a jeito e o momento ficou registado!
Para mais tarde recordar!
Já estamos com saudades!

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Um momento de solidariedade da professora para com a nossa querida Iolanda que teve de fazer a sua apresentação de muletas, mas correu bem! E já não precisa delas!
Parabéns a todos!

A professora M. Lourdes Faria

19 de junho de 2009

Mimos de Fim de Ano-II

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12ºG - Curso Profissional de Serviços Jurídicos

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Foram meus alunos desde o 10º e este ano acabam o curso.
Partilho aqui a alegria de ver que deixei alguma "marca" nestes jovens.
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POEMA AO 12º G


Calhou-me na “rifa” há 3 anos
O 12º Turma G
Foi assim uma experiência
Algo diferente…já se vê !!

Apenas sete…e nada mais,
O número de alunos da turma.
Serviços Jurídicos Profissional
Até aqui….menos mal !!

Mas que sete me saíram eles!!
Todos tão diferentes
Pareciam escolhidos a dedo !!
E sempre impacientes!!

Bruno Carvalho o primeiro,
De sorriso bem simpático!!
Bom rapaz, sincero e honesto
Mas nos testes fica apático !!

Estudar…não gosta muito,
Assiduidade?! Palavra difícil!!
E então o Inglês!!....
É como se fosse Chinês !!

Bruno Vaz vem a seguir,
Ai!! Este, então, é o maior
O Inglês…faz “na boa”!!
Economia…é que é pior!!

E as faltas, como é?
Nem ele sabe muito bem!!
Às vezes não lhe apetece,
E por isso…não aparece!!

O David, o número três,
Eu nunca vou esquecer!!
Por ter um coração grande
E não o poder esconder !!

David tens muito valor,
Não desperdices essa riqueza!!
Luta pelo que queres
E vencerás, com certeza!!

Diana a loirinha,
Mas que espertinha!!
Ela sabe convencer,
E a sua fazer valer!!

Aprender não é problema,
E estudar também não,
O pior são os transportes,
Da Covilhã ao Fundão !!

Inês, tem sempre pronta
A resposta automática
Ainda está a pensar…
E já está a falar!!

Fazer os Módulos não foi problema
Foi fazendo tudo certinho !!
Até mesmo o Inglês,
Em vez do “Espanholinho”

A Natália é pequenina,
Mas com grande atenção
Fez tudo certinho
E alguma dedicação!!

Às vezes conversadora
Ela e a sua amiga Inês !!
O Inglês…é que as pagava!!
E também o Português!!

Vanessa de sorriso meigo
Muito certinha e organizada !!
Sabe sempre o número da lição,
É a nossa secretária privada !!

Ela gosta de ouvir,
Perguntar e registar !!
É assim mesmo que se aprende,
Para mais tarde recordar!!

Vou dar-vos esta pulseira
Para que vos faça lembrar:
Quando ela se partir
Têm que me telefonar !!

Sejam muito felizes!!


Um xi- coração da vossa professora, DT e amiga:
Ana Moura
Covilhã,13 de Maio de 2009


Uma palavra de reconhecimento, em nome dos alunos e meu, para o colega GABRIEL ADRIANO que muito contribuiu, com a sua discrição sabedoria e sensatez, para a formação e aprendizagem destes jovens.

Também um muito obrigada aos colegas: Lourdes Faria; Susana Rabaça; Lídia Lourenço; Rui Marques; Rui Esteves; Carlos Neves; João Bessa e João Patrício. Pelo vosso empenho, profissionalismo e capacidade de proporcionar um bom ambiente de trabalho.

Nota: Não há Avaliação que avalie ou valorize estas coisas, as que nos fazem acreditar que, apesar de tudo, ainda vale a pena ser professora!!

17 de junho de 2009

Mimos de Final de Ano - I

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Hoje iniciamos uma série de postes que intitulámos «Mimos de Final de Ano». São três textos que nos chegaram ao correio pedindo publicação aqui, em que os autores manifestam a sua afectividade entre colegas, e entre alunos e professores. Começamos pelo mais antigo enviado no final do 2º período pela Sofia Andrade do 10º B.

. Gostava de fazer uma homenagem a esta turma!

São das melhores pessoas que eu conheço. Obrigado pelo apoio e pala vossa amizade.
Com vocês sei que nunca estou mal.
Já me ajudaram em momentos difíceis, em situações desagradáveis e sei que posso sempre contar com vocês...

Só nos conhecemos este ano, nunca tínhamos falado nem sequer visto, mas de repente veio logo uma cumplicidade de todas as partes :)

Unimo-nos, lutámos e hoje somos o que somos. Uma turma unida e junta para tudo! 25 alunos, 25 vozes, 25 corações...

Sei que isto não é nada, mas quero que toda a gente saiba o quão unida é a nossa turma!


Não está toda a gente na foto mas o texto aplica-se a todos!

E isto tudo só para dizer.. OBRIGADA !! Unidos para sempre...

Aluno(a) do 10ºB (2008/2009)

25 de abril de 2009

25 de Abril, sempre!

Há 35 anos uma revolução fez-se a pensar num futuro de liberdade, paz, justiça social, solidariedade.
É em nome de todos esses valores que hoje trago aqui a Teresa.
O que lhe aconteceu pode acontecer a qualquer um de nós.
Divulgue e PARTICIPE .
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A história do 25 de Abril

A autora deste projecto Scratch é portuguesa, tem apenas 11 anos, vive em Leiria, chama-se Madalena Gouveia e é a prova viva de como as novas tecnologias são mais um meio (Não um fim, como alguns parecem crer) para crescer, aprender, pensar.

Meninos, do Abril sonhado, que os cravos floresçam para sempre nas vossas vidas!
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Saiba mais sobre este projecto

A Madalena é também autora dos sítios que, com gosto, se divulgam:

Pomarão http://pomarao.blogspot.com/

Lápis de grafite http://lapisdegrafite.freehostia.com/

Raposinha http://raposinha.blogs.sapo.pt/


Para saber mais sobre o admirável mundo do Scratch, visite o blogue, sempre inspirador, da professora Teresa Marques, Tempo de Teia, e os dos seus meninos: GT Scratch, geração Best, Clube Scratch time.
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16 de abril de 2009

Ainda... a Voz

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Já que é dia da voz, aqui fica uma digna de ser ouvida.
Esta "história" mostra, também, como a aparência é ilusória. Clique na imagem para ver e ouvir.
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por sugestão da 3za

22 de janeiro de 2009


Um grupo de jovens do ensino secundário da Covilhã decidiu organizar, sexta-feira, na Praça do Município (Pelourinho), pelas 21h00, uma acção de solidariedade para com o povo Palestiniano.
A acção tem como ideias fundamentais:
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- O fim imediato do conflito entre Israel e os grupos Palestinianos;
- O apoio internacional para a resolução da crise humanitária que se vive em Gaza;
- A solidariedade com os 10 mil Palestinianos em Gaza e em particular com as famílias das 1200 pessoas que morreram e as 5 mil que ficaram feridas;
- A instauração da verdadeira Paz no território e não a Paz armada.
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A acção consistirá numa concentração de pessoas em que cada uma traz uma vela.
Fazer-se-á um minuto de silêncio por todas as mortes no conflito.

20 de janeiro de 2009

A História em directo


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Um português de 15 anos na Tomada de Posse

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19 de janeiro de 2009

Canta, poeta, canta!
Violenta o silêncio conformado.
Cega com outra luz a luz do dia.
Desassossega o mundo sossegado.
Ensina a cada alma a sua rebeldia.


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Versos do poeta-médico e resistente que nasceu a 12 de Agosto de 1907 em São Martinho de Anta, concelho de Sabrosa, e faleceu em Coimbra a 17 de Janeiro de 1995. Há, portanto, 14 anos e dois dias.

Vale a pena lê-lo nestes dias conturbados! A ele e a outros como Sophia:

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Porque
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Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
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Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
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Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
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Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

31 de dezembro de 2008

TODA A PESSOA É UM INSTRUMENTO DE SI PRÓPRIA

Toda a pessoa é um instrumento de si própria, que pode e deve viver, continuamente, um processo de mudança, de forma a gerar desenvolvimento pessoal e social.
A maior parte das vezes usamos “máscaras” sobre o nosso verdadeiro “eu”, e representamos papéis que disfarçam a nossa pessoa real. Somos fingidos e pouco ou nada autênticos, anulando o nosso autoconhecimento e destruindo a possibilidade de uma comunicação com os outros honesta e sincera.
Temos medo de revelar aos outros quem somos e tentamos fingir até para nós próprios. Temos medo da avaliação que os outros possam fazer de nós, de, por vezes, nos acharem fracos, ingénuos,” bonzinhos”, abusando da nossa simplicidade e da nossa bondade, o que nos leva, muitas vezes, a nem sequer tentar algo de novo, com o medo do fracasso.
Eu penso que ser “Pessoa” implica a capacidade de sair de nós mesmos, de nos colocarmos no lugar dos outros, de compreender os outros e não desenvolver atitudes de manipulação ou redução seja de quem for, devemos aprender a confiar nos outros, confiando em nós mesmos aprendendo a aceitar humildemente os nossos limites, para assim amadurecermos interiormente. Acredito que o Mundo só será melhor, quando cada ser humano tiver consciência de que o segredo está na qualidade interior de cada um e, portanto, na sua própria qualidade pessoal.
Aceitar o nosso lado negativo e imperfeito, como humanos que somos, exige de nós a autenticidade sem fingimentos; a sabedoria de uma autocrítica sincera diária, de quem sabe reconhecer e identificar os erros e as faltas, as omissões; a tolerância e a capacidade de canalizarmos as nossas energias positivamente no desenvolvimento dos nossos dons, cultivando os nossos talentos.
Só quem se aceita como é pode aceitar os outros como eles são, e não como gostaríamos que fossem, pois todos temos os nossos defeitos e as nossas qualidades, limitações. Aprender a viver uns com os outros na harmonia de quem sabe relacionar-se e de quem aceita aprender com os outros… sempre. Sermos suficientemente humildes para reconhecermos os nossos erros e aceitarmos os erros dos outros.
Na minha opinião, para uma relação ser saudável e harmoniosa não é necessário que duas pessoas pensem da mesma maneira, ou concordem com as ideias uma da outra, mas que saibam aceitar e respeitar a diferença e a liberdade de cada uma.
Devemos saber enfrentar as críticas dos outros, aprendendo com elas, mesmo que sejam injustas.
Sentimos um bem-estar e uma alegria interior tão grandes, quando chegamos á conclusão que fizemos algo de útil pelos outros! Quando ajudamos alguém, apesar de por vezes nos olharem com indiferença e desdém, sabendo aprender até mesmo com as injustiças! Que muitas vezes nos magoam no mais fundo de nós.
Para terminar esta minha introspecção e autocrítica sinceras, deixo este pequeno texto de Saint-Exupéry.

“A doação enriquece.
A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros na vida.
Nenhum encontro nosso deveria ser estéril, para aqueles que se aproximam de nós
Temos sempre algo a dar:
- Um pouco de alegria e muita esperança,
- Um pouco de verdade e muito optimismo;
- Um pouco de ânimo e acolhimento a este Mundo desnorteado, violento, de coração vazio, cansado de frustração e tédio.
Que eu nunca deixe partir, no mesmo estado em que encontrei, aqueles que de mim se aproximem.
Que, ao regressar, se sintam melhores, mais realizados, mais plenos e mais felizes.
Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo.”
Deixemos pois de ser o amigo invisível, para passarmos a ser o amigo bem visível, capaz de olharmos à nossa volta e transmitir um sorriso de alegria e de esperança a todos aqueles que se cruzarem no nosso caminho.
Nós não podemos mudar o Mundo, mas podemos sim mudar e melhorar um pouco o nosso pequenino mundo, o mundo que nos rodeia, o mundo da família, dos amigos, dos conhecidos, do nosso ambiente de trabalho, enfim o mundo da nossa Comunidade Escolar.
A todos,
*UM FELIZ ANO NOVO*
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Conceição Duarte
Funcionária Administrativa

1 de novembro de 2008

Luta contra o cancro

Tempo de solidariedade!
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12 de setembro de 2008

Professor

O Professor é um segredo...
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O professor compra uma agenda nova, um caderno bonito, uma caneta verde. Prepara-se com expectativa (com esperança?) para o que o novo ano lhe trará. O Professor é um aluno que não quis deixar a escola. O professor zanga-se, "congelado", longe da família, horário mau, vida difícil. Faz promessas e juras: não gasta nem mais um minuto no fim de semana, nada de projectos loucos, nem mais um tostão do bolso, nem mais um tinteiro, uma folha de papel, gota de tinta, gota de sangue, gota de suor. Espreitem uns dias depois. O professor está, outra vez, a fazer a festa com os alunos. A festa é, quase sempre, muito maior.
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O Professor tem forma de coração com memória fraca.
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O professor não tem endereço electrónico. Não escreve textos no computador. Não quer. Diz que não, que não gosta, que não percebe. O professor insiste que prefere lápis e papel. Nunca, nunca conseguirá. Diz que não vale a pena. E depois... O professor pede ajuda ao filho. O professor faz formação. Aceita a mão de outro professor. O professor dá mais um passo.
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O Professor é um caderno já muito cheio, onde encontramos sempre muitas folhas brancas.
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O professor fala de saúde, futuro, matemática, inglês, poesia, estudo, música, informática, livros. Sabe fazer projectos, jornais, cartazes, desenhos, receitas, teatro. Cura feridas, ampara tristezas, acalma medos. Escuta segredos, dá conselhos, conta anedotas, prepara passeios, monta exposições. Dirige a escola, dirige um grupo, escreve regulamentos, prepara oficinas, constrói materiais. O Professor não sabe o que quer ser quando crescer. O professor faz muitas perguntas, por dentro e por fora dele. O professor gosta que lhe façam perguntas. O professor ensina que as perguntas são a melhor maneira de aprender. O professor acha mais difícil fazer uma boa pergunta do que dar uma má resposta. O professor ensina a perguntar. O professor não sabe todas as respostas.
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O Professor é um ponto de interrogação com muitas respostas possíveis.
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O professor tem medo. De não conseguir, de não ser capaz, de errar, de acertar, de se perder, de perder alguém. Tem medo de ter medo. Medo de não ter medo. Medo de avançar depressa, de avançar devagar. Medo de ficar parado. O professor tem medo que não aconteça nada.
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O Professor usa o medo como meio de transporte.
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O professor chora, ri. O professor sofre, mastiga desgostos, partilha-os se forem maiores do que ele próprio. Tem sonhos, tem desejos. Às vezes pinta, às vezes canta, outras escreve. Planta flores, cria borboletas, namora, ama, tem filhos, não tem filhos, representa, dança, vai ao cinema. O professor é feliz, é menos feliz, é feliz outra vez. O professor fica parado a pensar no que sente. O professor é de todas as cores por dentro e por fora. Mais do que o arco-íris. Mais do que a maior caixa de lápis de cor do mundo. Mais do que todas as cores que se podem imaginar.
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O Professor do avesso é tão colorido como do direito.
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O professor recomeça tantas tantas vezes, que desiste do prefixo "re". O professor caminha numa estrada que dá voltas e voltas e voltas... Não se lembra de ontem. Não sabe o amanhã. Oferece o tempo que tem.
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O Professor não tem princípio nem fim.
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O professor tem uma magia só dele. Um feitiço que lhe foi lançado, não se sabe quando nem por que fada. Ele é Bela ou Monstro, Princesa Adormecida, Gata Borralheira, Capuchinho Vermelho, Branca de Neve. As madrastas, os lobos, as bruxas, as trevas vão andar sempre por aí. Ele luta, história a história, contra todos eles. O Professor tem de ser o final feliz de todas as histórias, para que o mundo se salve. Por entre o som das palavras, o professor é cheio de silêncios que poucos conhecem. Silêncios que falam, muitas vezes, uma língua que quase ninguém se lembra de ter ouvido.
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O Professor é um segredo que se deve contar em voz alta, para toda a gente ouvir.
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Teresa Martinho Marques
Texto publicado no Correio da Educação, CRIAP ASA, nº232, 3 de Outubro 2005 e aqui.

14 de junho de 2008

Ainda a propósito de Santo António

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Um tostão para o Santo António
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Andava um garoto a pedir um tostãozinho para o Santo António. Uns davam, outros não.
Até que passou por ele um senhor de sobretudo comprido, até aos pés, e de sandálias, vejam bem. E se estava frio!
O garoto, cá de baixo, reparou no desconcerto, não deu importância. E vá de pedir:
— Dê-me um tostãozinho para o Santo António…
O senhor do sobretudo castanho todo esfarrapado debruçou-se para o miúdo e, sorrindo, disse-lhe assim:
— Tanto andas tu a pedir como eu. Hoje ainda não me deram nada.
— A mim já — respondeu o garoto. — Quer ver?
E mostrou-lhe, na palma da mão, umas tantas moedas. O mendigo contou-as.
— Davam e sobravam para pagar uma sopa e um pão, ali, na taberna da esquina — observou o mendigo.
— Mas eu não tenho fome — preveniu o garoto. — A minha mãe deu-me de almoçar, ainda agora.
O senhor mendigo suspirou e disse:
— Pois a minha mãe já morreu. Deve ser por isso que ainda não comi nada, hoje…
O mocinho olhou para o homem, a certificar-se se seria verdade o que ele dizia. Os olhos tristes do mendigo garantiram-lhe que sim.
Foi a vez de o garoto suspirar:
— Este dinheiro era para eu comprar berlindes…
O homem de sandálias admirou-se:
— Mas tu, há bocadinho, não pedias para o Santo António?
O garoto riu-se:
— É um costume. Quero eu lá saber do Santo António! É tudo para os berlindes.
O mendigo não estranhou a revelação. Percebia-se, a conversa ia ficar por ali. Despediu-se:
— Ainda tenho hoje muito que andar. Adeus e boa colheita.
O rapazinho viu-o descer a ruela, num passo cansado. Então, num impulso, correu atrás dele e puxou pela ponta da corda, que o homem trazia à roda da cintura:
— Tome lá para um pão e para uma sopa. Mas não vá ali àquela casa da esquina, que são uns mal-encarados. Na outra rua abaixo, há mais onde comer.
O homem de sandálias e sobretudo roto, que lhe davam um ar de frade de antigamente, agradeceu as moedas e o conselho e seguiu caminho.
O garoto voltou ao seu poiso. E quando, pouco depois, porque estava frio, meteu as mãos nos bolsos, encontrou-os atulhados de berlindes…
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António Torrado
O mercador de coisa nenhuma
Porto, Livraria Civilização Editora, 1994
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Histórias em Português

10 de maio de 2008

Dia da Europa

Apesar do atraso, aqui fica a referência à efeméride de ontem, destacando que este é o ano Europeu do Diálogo Intercultural.
Mais informação aqui.

9 de dezembro de 2007

A ética de ser vegetariano


Hugo Evangelista, biólogo e representante da “Acção Animal” foi o orador convidado para uma palestra subordinada ao tema “Ética e Vegetarianismo”. A iniciativa decorreu no passado dia 6 de Dezembro, no Café Bar Covilhã Jardim, e contou com a organização do Clube Agenda 21 Escolar, da Escola Secundária Campos Melo.
A abordagem ética do vegetarianismo foi uma tónica constante na intervenção de Hugo Evangelista, que confessou ser vegetariano há sete anos. Será que os animais têm direitos? O que se entende por direito? Estas foram algumas das questões levantadas pelo representante da “Acção Animal” desafiando desde logo a participação da audiência. Para Hugo Evangelista, os animais têm desde logo direitos como “não sofrer, não ser explorado e poder viver”.
O respeito pelos animais, a preservação do ambiente e o cuidado com a saúde foram factores apontados pelo orador para justificar o vegetarianismo. Apesar de reconhecer a existência de uma tendência na maioria das pessoas para para comer carne, Hugo Evangelista sublinha que “é fácil manter um estilo de vida saudável e isento de crueldade recorrendo ao vegetarianismo”. O biólogo explica que os produtos de origem animal são ricos em proteínas porque têm todos os aminoácidos concentrados, mas se combinarmos vários tipos de alimentos de índole vegetal (cereais, vegetais, leguminosas..) conseguimos obtê-los de igual modo.
A iniciativa que decorreu em jeito de tertúlia contou com a participação activa do público que teve assim oportunidade para esclarecer dúvidas sobre as questões abordadas. No dia seguinte, Evangelista deu palestras sobre o tema aos alunos de 8º e 10º anos.
No site da “Acção Animal” é possível encontrar um vasto conjunto de informações sobre esta temática, como a legislação em vigor, aspectos relacionados com a indústria alimentar e até algumas receitas vegetarianas. Na página oficial da associação é explicado que a “Acção Animal nasceu de uma decisão ponderada e plena de determinação de um grupo independente de cidadãos com uma causa comum: a abolição das relações de aproveitamento e exploração dos animais, por parte dos humanos, e a criação duma consciência de que ambas as espécies possuem os mesmos direitos, podendo coexistir estabelecendo relações harmoniosas, fundadas no mutualismo”.